The Kinks foi uma banda de rock britânica formada em Londres em 1963 por Dave Davies e Peter Quaife.
A formação original era composta por Dave Davies (guitarra guia, vocais, composições), Ray Davies (compositor principal, guitarrista principal, guitarra rítmica), Pete Quaife (baixo, vocais) e Mick Avory (bateria).
Durante sua carreira o grupo se tornou infame por seus conflitos, tanto públicos quanto privados, particularmente entre os irmãos Ray e Dave, que frequentemente degringolavam em agressões.
Depois de uma carreira que atravessou os anos 60, 70 e 80 com algumas mudanças de formação, os Kinks desbandaram nos anos 90, quando os projetos solo dos irmãos Davies passaram a ter mais importância para eles.
No começo de 2000 rumores de uma reunião dos Kinks começaram a circular, mas incidentes ocorridos com os irmãos Davies em 2004 (Ray levou um tiro na perna ao perseguir assaltantes em Nova Orleans em 4 de janeiro e Dave sofreu um derrame cerebral em Londres em 30 de junho) adiaram quaisquer tentativas de reagrupar a banda novamente. Recentemente, a banda teve a sua música "All Day and All Of The Night" incluída na lista de músicas do jogo "Guitar Hero: Aerosmith".
Discografia The Kinks 1964 Kinda Kinks 1965 The Kinks Kontroversy 1965 Face to Face 1966 Something Else By The Kinks 1967 The Kinks Are the Village Green Preservation Society 1968 Arthur (Or the Decline and Fall of the British Empire) 1969 Lola versus Powerman and the Moneygoround, Part One 1970 Muswell Hillbillies 1971 Preservation Act 1 1973 Preservation Act 2 1974 Soap Opera 1975 Schoolboys in Disgrace 1975 Sleepwalker 1977 Misfits 1978 Low Budget 1979 Give the People What They Want 1981 State of Confusion 1983 Word of Mouth 1984 Think Visual 1986 Phobia 1993
Robert Allen Zimmerman, mais conhecido como Bob Dylan, (Duluth, 24 de maio de 1941) é um cantor e compositor norte-americano.
Nascido no estado de Minnesota, neto de imigrantes judeus-russos, aos dez anos de idade Dylan escreveu seus primeiros poemas e, ainda adolescente, aprendeu piano e guitarra sozinho. Começou cantando em grupos de rock, imitando Little Richard e Buddy Holly, mas quando foi para a Universidade de Mineapolis em 1959, voltou-se para a folk music, impressionado com a obra musical do lendário cantador folk Woody Guthrie, a quem foi visitar em New York em 1961.
Carreira
Um Início de Protestos
Dylan já lançou mais de 45 álbuns desde 1962, quando lançou seu primeiro disco, "Bob Dylan”, dedicado ao folk tradicional. Seu segundo álbum, “The Freewhellin' Bob Dylan”(1963), contendo apenas canções de sua autoria, consagrou o músico com o hit "Blowin' In The Wind", que se tornou um hino do movimento dos direitos civis. Além desta, canções como "A hards-rain a gonna-fall", "Masters Of War", entre outras, tornaram-se clássicas como músicas de "protesto", embora Dylan mais tarde recusasse o rótulo de "cantor de protesto". Estas músicas, que entre outras compostas por ele, abordavam temas sociais e políticos numa linguagem poética, o tornaram um fenômeno entre os jovens artistas folk da época, levando-o ao estrelato folk, principalmente após sua participação no Newport Folk Festival de 1963, onde foi promovido pela "rainha" folk da época, a cantora Joan Baez. O sucesso do álbum "The Times They Are-A-Changing" (1964) apenas consolidou esta posição.
Transição
Bob Dylan em 1963
Mas logo Dylan mudou de rumos artísticos, afastando-se do movimento folk de protesto e voltando-se para canções mais pessoais, instrospectivas, ligadas a uma visão muito particular de mundo. As questões sócio-políticas de seu tempo: racismo, guerra fria, guerra do Vietnã, injustiça social, cedem espaço para a temática das desilusões amorosas, amores perdidos, vagabundos errantes, liberdade pessoal, viagens oníricas e surrealistas, embaladas pela influência da poesia beat. Esta transição se dá entre 1964 e 1966, quando Dylan eletrifica a sua música, passa a tocar com uma banda de blues-rock como apoio e choca a platéia folk, com sua aproximação ao rock. Na época, muitos ignoravam que Dylan já havia tocado rock n'roll na adolescência e apreciava artistas country como Johnny Cash, que já trabalhavam com instrumentos elétricos desde os anos 50. O sucesso dos Beatles e demais roqueiros britânicos na releitura do rock americano também chamaram-lhe a atenção. Em compensação, foi aclamado pela crítica, ampliou o seu público (mesmo sendo chamado de "traidor" por fãs do Dylan cantador folk), tornando-se cada vez mais influente entre artistas contemporãneos (John Lennon que o diga) e lançando os mais apreciados discos de sua carreira, com uma série de canções clássicas de seu repertório: "Maggie's Farm", "Subterranean Homesick Blues", "Gates of Eden", "It's Alright Ma (I'm Only Bleeding)", "Mr. Tambourine Man", "Ballad Of A Thin Man", "Like a Roling Stone", "Just Like a Woman", entre outras, lançadas em seus álbuns mais inspirados: "Bringing It All Back Home" e "Highway 61 Revisited" de 1965 e o duplo "Blonde on Blonde", de 1966.
Em maio de 1966, após uma tumultuada turnê pela Inglaterra, devido ao formato rock dos shows, Dylan sofreu um grave acidente de moto que o afastou dos palcos e gravações até 1968. Em seu retorno, surpreendeu o público e a crítica com o álbum "John Wesling Hardin", fortemente influenciado pelo country, tendência que acentuou-se no trabalho seguinte, "Nashville Skyline", que trouxe o clássico "Lay Lady Lay" para as paradas. Limitando-se a apresentações esporádicas, das quais a mais importante foi sua participação no Festival da Ilha de Wight em agosto de 1969, além de sua participação no Concerto para Bangladesh, organizado por George Harrison em 1971, Dylan só voltaria a realizar turnês em 1974.
Anos 70
O que produziu no início dos anos 70 não foi bem recebido pela crítica, considerado muito abaixo de seus melhores momentos. Apenas algumas canções destacam-se: "If Not For You" (1970), "Knockin' on Heaven's Door" (1973), "Forever Young" (1974). Mas ao voltar as turnês, acompanhado pelo grupo The Band, retorna a evidência e ao sucesso, principalmente pelo elogiado duplo ao vivo "Before the Flood" (1974). Na retomada da carreira de forma mais ativa, Dylan produz "Blood On Tracks" (1975) e "Desire" (1976), seus melhores discos nos anos 70, aclamados pela crítica. Deste último, a canção "Hurricane", baseado na história de Rubin Carter, um boxeador negro preso injustamente, foi um sucesso espetacular, ao mesmo tempo que a turnê Roling Thunder Revue (75/76) era aclamada por crítica e público.
Conversão
Após seu divórcio em 1977, da esposa Sara Lownes, com quem era casado desde 1965, Dylan viveu uma grande crise pessoal, que refletiu-se em seu trabalho artístico. Depois de uma turnê mundial em 1978, em parte registrada no duplo ao vivo "At Budokan" (gravado no Japão), ele voltou-se para a música gospel, após converter-se ao cristianismo e filiar-se a uma igreja. Foi o período mais controverso e polêmico de sua carreira, principalmente por Dylan afastar-se de seu repertório clássico e investir em canções com temática cristã. Nesta nova fase, surprendeu seus antigos fãs e se apróximou de músicos do segmento cristão, como Larry Norman[1], Chuck Girard[2] e Keith Green, em cujo álbum "So You Wanna Go Back to Egypt" chega a gravar uma participação com sua harmônica[3].
Mais importante do que isso, motivado por sua nova espiritualidade, Dylan gravou três álbuns: "Slow Train Coming" (1979) considerado o mais inspirado dos três, deu a Dylan um Grammy de melhor vocal masculino, pela canção "Gotta Serve Somebody". O segundo álbum, "Saved" (1980), teve uma recepção menos entusiasmada, embora na opinião de Kurt Loder da Rolling Stone este álbum fosse superior ao primeiro [4]. "Shot of Love" (1981) encerra a fase cristã de Dylan.
A despeito da intolerância das críticas à época do seu lançamento, em 2003, o conteúdo das músicas de "Gotta Serve Somebody" foi depurado, revisitado e redimido por nomes como Shirley Caesar, Helen Baylor, Chicago Mass Choir e outros representantes da música afro-americana, em "The Gospel Songs of Bob Dylan", um CD que se desdobrou em indicação para o Grammy e em documentário (2006) sobre esta fase. O jornal International Herald Tribune declarava que a interpretação afro-americana levava a música de Dylan a um outro patamar[5].
Anos 80
Com "Infidels", de 1983, Dylan afasta-se da fé cristã, volta-se inesperadamente para as suas raízes judaicas e parece reencontrar certo equilíbrio artístico. Bem recebido pela crítica, é considerado seu melhor álbum desde Desire. As apresentações ao vivo, em que volta a interpretar suas canções clássicas, marcam uma reconciliação com seu público. Em 1985 participa do especial We are the world com outros 40 grandes nomes da música estadunidense -entre eles Michael Jackson, Tina Turner, Ray Charles, Stevie Wonder - pela campanha contra a fome na África.
Dylan continua a gravar regularmente, buscando uma sonoridade "made anos 80" ao mesmo tempo em que tenta preservar seu estilo. "Down In The Grovy", álbum de 1988, passou despercebido, contém várias covers, mas equivale a uma declaração de princípios, com canções de folk-rock, gospel, rock, que demarcam os gostos artísticos preferenciais do artista. Depois de uma turnê com a lendária banda californiana Grateful Dead, ele lança o álbum "Oh Mercy" (1989), elogiado pela qualidade inesperada das canções e volta às paradas com o super-grupo Traveling Wilburys, formado com os amigos George Harrison, Tom Petty, além de Jeff Lynne e Roy Orbison.
Bob Dylan no Lida Festival de Estocolmo, Suécia, em 1996.
Anos 90
No início dos anos 90, Bob Dylan parece dar uma "parada" na carreira. Para comemorar e fazer um balanço de seus 30 anos de trajetória, ele volta a gravar folk tradicional, acústico, sem importar-se com o pouco apelo comercial deste gênero nos dias atuais. Em 1992 é realizado um show-tributo em grande estilo, com a participação de vários nomes do rock, country e do soul cantando suas músicas: Eric Clapton, Stevie Wonder, Neil Young, Willie Nelson, Lou Reed, Eddie Vedder entre outros.
Depois do acústico produzido para a MTV em 1994, Dylan só voltaria com um CD de inéditas em 1997 (Ano que vários outros famosos voltaram a ativa com sucesso, entre eles os Bee Gees. O álbum "Time Out Of Mind" ganharia vários prêmios Grammy e foi considerado por muitos uma nova ressurreição artística, confirmada pela qualidade de "Love and Theft" (2001). Neste mesmo ano a revista Rolling Stone publicou uma lista com as 500 melhores músicas da história e em primeiro lugar ficou Like a Rolling Stone, de Bob Dylan. Atualmente registra-se um novo interesse pela vida e obra de Dylan, com o lançamento oficial de várias gravações piratas, além do lançamento do documentário "No Direction Home", de Martin Scorsese, que flagra os anos iniciais de sua carreira (1961-1966) e, mais recentemente, com "Modern Times", seu novo álbum lançado em 2006, com o qual, pela quarta vez na carreira, Dylan conquistou a liderança do ranking dos mais vendidos dos Estados Unidos, vendendo 192.000 cópias na primeira semana. A última vez que Dylan tinha alcançado a liderança nos Estados Unidos, foi com o álbum "Desire", de 1976, que ficou 5 semanas no topo das paradas. Antes disso, alcançou o primeiro lugar com o clássico disco "Blood On The Tracks", em 1975, e com "Planet Waves", no ano anterior.
Pintor
Bob Dylan também pinta e desenha tendo lançado um livro de desenhos "Drawn Blank" em 1994.
Fez a sua primeira exposição denominada "The Drawn Blank Series" no Museu Kunstsammlungen em Chemnitz (Alemanha) (onde há obras de Munch e Picasso) entre Outubro de 2007 e 3 de Fevereiro de 2008 com 175 aquarelas e guaches.
Escritor
Dylan escreveu o livro Tarântula em 1966, mas só foi publicado em 1971. Foi publicado em Portugal em 2007.
Charles Hardin Holley (Lubbock, 7 de Setembro de 1936 — perto de Mason City, 3 de Fevereiro de 1959), mais conhecido como Buddy Holly, era um cantor Americano, compositor e precursor do Rock.
Biografia
Holly nasceu em Lubbock, Texas. Os Holleys eram uma família de músicos e cedo Buddy aprendeu a tocar violino, piano e guitarra. Ainda adolescente já tocava como profissional num duo de música country. A sua grande oportunidade surgiu quando fez a abertura de um concerto de Bill Haley and The Comets num espectáculo local. Assinou contrato pela "Decca Records" para uma gravação a solo, mas o seu sucesso prematuro iludiu-o.
De volta a Lubbock, Holly formou a sua própria banda, The Crickets, e começou a gravar discos no estúdio de Norman Petty em Clovis, Novo México. Entre as músicas que gravou encontrava-se "That'll Be The Day", que foi buscar o título a uma frase que John Wayne repetia ao longo do filme The Searchers. Norman tinha conhecimentos na indústria musical, e como acreditava qu "That'll Be The Day" seria um grande sucesso fez contactos com editoras. A Coral Records, subsidiária da Decca, contratou Buddy e os Crickets, pondo-o na caricata situação de ter dois contratos ao mesmo tempo.
A música de Holly era sofisticada para seu dias, incluindo o uso de novos instrumentos (para o rock and roll). Holly era um bom guitarrista ritmico, notável em músicas como "Peggy Sue" e "Not Fade Away". Holly podia fazer músicas do tipo garoto-ama-garota como o melhor de seus contemporâneos, outras músicas tinham letras mais sofisticadas, harmonias e melodias muito bem trabalhadas e complexas, que nunca foram mostradas no genêro.
Holly também conseguiu controlar algumas das "guerras" raciais que puntuavam o rock, conseguiu ganhar uma platéia quase toda de negros, quando acidentalmente tocou no Teatro Apollo em Nova York (Diferente do que aparece no filme de sua biografia, levou muitas perfomances para a audiência se convencer de seu talento).
Depois do lançamento de muitas músicas de sucesso, em Março de 1958, ele e os Crickets fizeram uma turne na Inglaterra. Na audiência tinham dois adolescente que futuramente entrariam para a história do rock, Paul McCartney, que depois citou Holly como uma de suas principais influências (o nome da sua banda The Beatles, foi escolhida boa parte, em função do nome da banda de Holly, The Crickets), o outro era Mick Jagger que também recebeu forte influência musical de Holly, tanto que um dos primeiros sucessos de sua banda, os Rolling Stones foi uma versão de Not Fade Away, e até hoje eles a tocam em suas apresentações . O estilo pessoal de Holly, mais controlado e cerebral que Elvis Presley e mais jovial e inovador que os astros western de sua época, teve uma influência na cultura jovem nos dois lados do Atlantico por décadas, refletindo particulamente na música New Wave, movimento de artistas como Elvis Costello e Marshall Crenshaw, e também em bandas anteriores, como The Byrds e The Turtles.
Ele se casou com Maria Elena Santiago em 15 de Agosto de 1958.
Em 1959, Holly saiu dos Crickets e começou uma carreira solo com outros artistas famosos, incluindo Ritchie Valens e J.P. Richardson.
Depois de uma performace no dia 2 de Fevereiro no Surf Ballroom em Clear Lake, Iowa, o pequeno avião Beechcraft Bonanza, no qual viajava com mais 3 passageiros, entrou em uma tempestade de neve cega e bateu no milharal de Albet Juhl algumas milhas depois as 1.05 da manha. A batida matou Holly, Valens, Richardson e o piloto Roger Peterson, deixando a mulher de Holly, que estava grávida na época, viúva. Esse evento inspirou o cantor Don McLean a criar uma popular música de 1971, chamada American Pie, e imortalizou o dia 3 de Fevereiro como o dia que o Rock Morreu. Serviços de funeral foram requisitados na Igreja Batista em Lubbock, Texas, e Buddy Holly foi enterrado no cemitério de Lubbock.
Tributos
Monumento no Local da batida
Em 1988, Ken Paquette, um morador de Wisconsin fã de rock dos anos 50, erigiu um monumento de aço que representava uma guitarra e um set de três discos pontuados pelos nomes dos três artistas. Ele também criou um monumento similiar perto de Riverside Ballroom, em Green Bay, Wisconsin.
O enredo dramático da vida de Holly inspirou um filme de Hollywood, chamado The Buddy Holly Story, pelo qual o ator Gary Busey recebeu uma indicação ao Oscar de "Melhor Ator". O filme daria origem também a um musical da Broadway.
Buddy Holly é considerado um dos fundadores do rock'n'roll e um de seus músicos mais influentes. Embora sua carreira tenha terminado tão cedo, o trabalho deixado por ele é considerado um dos melhores da história do rock e sua música influenciaria não apenas seus contemporâneos, mas também à direção futura que a música tomaria.
J. R. Cash, mais conhecido como Johnny Cash, (Kingsland, 26 de fevereiro de 1932 — Nashville, 12 de setembro de 2003) foi um cantor e compositor americano de música country, conhecido por seus fãs como "O Homem de Preto". Em uma carreira que durou quase cinco décadas ele foi para muitas pessoas a personificação do country. Sua voz sepulcral e o distintivo som "boom chicka boom" de sua banda de apoio "Tennessee Two" podem ser reconhecidos instantaneamente por inúmeras pessoas.Cash nasceu no estado do Arkansas, filho de um fazendeiro pobre. Sua família mudou-se pouco depois para uma fazenda em Dyess, no mesmo estado. O pai de Cash era alcóolatra e abusava física e emocionalmente de seus filhos. Com cinco anos de idade, Cash começou a trabalhar em um campo de algodão, cantando com sua família enquanto cultivavam. Ele era muito próximo a Jack, seu irmão mais velho, e um acidente ocorrido em 1944 o afetaria pelo resto de sua vida. Jack foi puxado por uma serra de madeira no moinho em que trabalhava, sendo quase partido ao meio. Jack ainda sofreria uma semana antes de morrer. Cash sempre falou da enorme culpa que sentia pelo incidente porque tinha saído para pescar nesse dia. Em seu leito de morte, o jovem teve visões do céu e de anjos, e quase sessenta anos depois do acontecido Cash ainda falava esperar encontrar Jack no paraíso. Suas memórias de infância eram dominadas pela música gospel. Cash começou a tocar violão e a compor ainda jovem. Ele passou a ser chamado de "John" depois de entrar para a Força Aérea Americana (que recusava iniciais como nome). Antes disso ele era conhecido como Johnny ou John R. Enquanto servia na Alemanha Cash compôs uma de suas músicas mais famosas, "Folsom Prison Blues".
Princípio de carreira
Depois de ser dispensado Cash casou-se com Vivian Liberto em 1954 com quem teria 4 filhas, mudou para Memphis, Tennessee, onde vendia ferramentas e estudava para ser locutor de rádio. Durante a noite, Cash tocava com o guitarrista Luther Perkins e o baixista Marshall Grant, enquanto criava coragem para visitar os estúdios da Sun Records para tentar conseguir um contrato. Um produtor da Sun, Cowboy Jack Clement, foi quem tratou com o jovem cantor da primeira vez, e sugeriu que Cash voltasse e conversasse com Sam Phillips. Depois de fazer um teste, cantando na maioria músicas gospel, Phillips disse à Cash para "voltar para casa e pecar, e depois voltar com uma música que eu possa vender". Cash conseqüentemente convenceria Clement e Phillips com suas canções frenéticas, e as gravações de "Hey Porter" e "Cry Cry Cry" (lançadas em 1955) tornariam-se um destaque nas paradas de sucesso country.No início da década seguinte ele se divorcia de Vivian Liberto.
A gravação seguinte de Cash, "Folsom Prison Blues", entrou para o Top 5 do country e "I Walk the Line" conseguiu a primeira colocação na mesma parada de sucesso. Em 1957 Johnny Cash tornou-se o primeiro artista da Sun Records a lançar um álbum completo. Embora fosse o cantor mais prolífico e mais lucrativo da gravadora na época, Cash começou a se sentir limitado por seu contrato. Elvis Presley já havia deixado o selo, e Phillips estava focando sua atenção em promover Jerry Lee Lewis. No ano seguinte, Cash saiu da Sun e acertou com a Columbia Records depois de uma lucrativa proposta. Ali, seu compacto "Don't Take Your Guns to Town" tornaria-se um de seus maiores sucessos.
Vício
Quando sua carreira começou a decolar no começo dos anos 60, Cash viciou-se em anfetaminas e barbitúricos. Seus amigos brincavam sobre seu "nervosismo" e comportamento estranho, ignorando os claros sinais de seu vício. Por um breve período, Cash dividiu um apartamento em Nashville com Waylon Jennings, também dependente de anfetaminas. Embora praticamente fora de controle, a criatividade frenética de Cash ainda conseguia criar hits. Sua "Ring of Fire" foi um tremendo sucesso, alcançando o primeiro lugar nas paradas country e entrando no Top 20 de canções pop. Co-escrita por June Carter e Merle Kilgore e originalmente cantada pela irmã de Carter, a música teve seu arranjo de trompete composto por Cash, que disse tê-lo ouvido durante um sonho.
Embora Cash cultivasse cuidadosamente sua imagem romântica de fora-da-lei, muitos fãs ainda se surpreendem ao saber que ele nunca cumpriu pena na prisão, apesar de sua selvageria e mau comportamento terem rendido a ele algumas noites na cadeia. O problema mais sério de Cash com a lei foi em 1965 quando um esquadrão antinarcóticos em El Paso, Texas, o pegou em flagrante. Os oficiais pensavam que Cash trazia heroína do México, mas na verdade eram apenas anfetaminas, escondidas na caixa de seu violão. Cash também foi preso no ano seguinte em Starkville, Mississippi, ao invadir propriedade privada para apanhar flores. O mais notável foi que Cash voluntariamente ia a diversas prisões para tocar para os presos, pelos quais ele sentia imensa compaixão.
Durante os anos 60 Cash lançou vários álbuns conceituais, como Bitter Tears, de 64 e Ballads Of The True West, de 65. Entretanto o vício continuava, e seu comportamento destrutivo provocou o divórcio, além de causar várias confusões durante seus shows.
Cristianismo
Os problemas pessoais e os desastres seguiram Cash em sua nova casa em Old Hickory Lake, Handersonville, Tennessee. Seu guitarrista de longo tempo, Luther Perkins, morreu em um incêndio em agosto de 1968. Menos de dois meses depois, a casa de seu vizinho e grande amigo, Roy Orbison, desabou, com a morte de dois dos seus três filhos caçulas. Cash foi profundamente afetado por esses incidentes, e decidiu começar a longa e difícil jornada rumo à reabilitação. Ele se trancou em casa para tentar se desintoxicar, contando com o apoio irrestrito dos amigos e da que se tornaria sua esposa nos próximos anos, June Carter. A balada romântica "Flesh and Blood" foi uma das primeiras de inúmeras músicas que Cash dedicaria à sua amada.
Com a ajuda da esposa e influenciado por uma conversão religiosa alcançada depois de uma tentativa fracassada de suicídio, Cash começou a batalha contra o vício. Nos dois anos seguintes ele gravaria e lançaria seus dois álbuns ao vivo mais bem-sucedidos, Johnny Cash at Folsom Prison, de 1968 e Johnny Cash at San Quentin, de 1969, mesmo ano do nascimento de seu primeiro e único filho homem, John Carter Cash.
"O Homem de Preto"
De 1969 a 1971 Cash estrelou seu próprio programa televisivo pela rede ABC, que contava com a participação de vários astros da música, como Neil Young e Bob Dylan. Cash apoiava o trabalho de Dylan antes mesmo de conhecê-lo, e os dois tornaram-se amigos depois de morarem na mesma vizinhança de Woodstock, em Nova Iorque, no final dos anos 60. Em complemento às aparições de Dylan em seu programa, Cash gravou um dueto com ele em Nashville Skyline, além de escrever o encarte do álbum vencedor do Grammy. Outro artista que recebeu grande apoio do The Johnny Carson Show foi o compositor Kris Kristofferson. Durante uma apresentação ao vivo da "Sunday Morning Coming Down" de Kristofferson, Cash provocou polêmica ao se recusar a mudar um dos versos para satisfazer os executivos da emissora, preservando intacta a canção com suas referências controversas à maconha: "On the Sunday morning sidewalks / Wishin', Lord, that I was stoned" ("Nas calçadas das manhãs de domingo / Pedindo, por Deus, que eu esteja chapado").
Imensamente popular e uma figura imponentemente alta, no começo dos anos 70 ele havia conseguido cristalizar sua imagem pública. Cash se apresentava na maioria das vezes vestido de preto, calçando uma bota igualmente preta de cano longo, o que o levou a ser apelidado de "O Homem de Preto". Esta vestimenta era um total contraste às usadas pela maioria dos astros country da época - chapéus, roupas claras e botas de caubói. Em 1971 Cash compôs a música "Man In Black" para tentar explicar um pouco seu estilo: "I wear the black for the poor and the beaten down, / Livin' in the hopeless, hungry side of town, / I wear it for the prisoner who has long paid for his crime, / But is there because he's a victim of the times" ("Eu me visto de preto pelos pobres e oprimidos/ Que vivem no lado faminto e sem esperanças da cidade / Eu me visto assim pelo prisioneiro que há muito pagou por seu crime / Mas está ali pois é uma vítima dos tempos").
Em meados dos anos 70 a popularidade e as canções de sucesso de Cash começaram a diminuir, mas ainda assim sua autobiografia, intitulada Man in Black (de 1975), vendeu 1,3 milhão de cópias. Sua amizade com Billy Graham levou à produção de um filme sobre a vida de Jesus chamado The Gospel Road, que Cash co-escreveu e narrou. Ele continuou a aparecer na televisão, estrelando um especial de Natal na CBS durante os anos 70.
Andarilho
Após o nascimento de seu primeiro e único filho homem, John Carter Cash (1969), estrelou seu próprio programa musical televisivo pela rede ABC (1969-1971). Em 1980, aos 48 anos de idade, Cash tornou-se o mais jovem indicado ao "Hall da Fama da Música Country". Apesar disso, durante os anos 80 suas gravações não conseguiram provocar um impacto signficativo nas paradas musicais; ainda assim, ele continuava suas turnês bem-sucedidas. Durante esta década ele gravou e viajou com Waylon Jennings, Willie Nelson e Kris Kristofferson no grupo The Highwaymen.
Foi também durante essa época que Johnny Cash começou a participar, como ator, de uma série de filmes televisivos. Em 1981, ele estrelou The Pride Of Jesse Hallam e em 1983 no papel de um heróico xerife em Murder In Coweta County (filme baseado em um caso real de assassinato que Cash tentou por vários anos levar às telas).
Cash recaiu no vício no começo dos anos 80 depois de um ferimento no estômago, que o fez começar a abusar de drogas para aliviar as dores. Durante sua recuperação em 1986, ele se tornou amigo de Ozzy Osbourne, um dos cantores favoritos de seu filho. Durante outra visita ao hospital - desta vez por causa de Waylon Jennings, que recuperava-se de um infarto - Cash decidiu, por sugestão de Jennings, fazer um check-up. Os médicos indicam uma cirurgia cardíaca preventiva. Durante sua recuperação Cash se recusou a tomar qualquer tipo de remédio, temendo viciar-se novamente. Ele recordaria mais tarde que durante a operação ele passou por uma experiência "próxima da morte". Cash disse que teve visões celestes tão belas que ficou com raiva quando acordou e percebeu que estava vivo.
Quando seu relacionamento com as gravadoras e com a indústria musical de Nashville começou a azedar, Cash chegou a entrar no terreno da auto-paródia (como no álbum Chicken In Black). Depois que seu contrato com a Columbia Records terminou, ele passou um breve e mal-sucedido período na Mercury Records.
Em 1986 Cash publicou seu único romance, Man in White, um livro sobre Saulo e sua conversão ao tornar-se o apóstolo Paulo.
American Recordings
Sua carreira ganhou novo fôlego nos anos 90. Embora indesejado pelas grandes gravadoras, Cash se aproximou do produtor Rick Rubin e ganhou um contrato com seu selo, American Recordings, mais conhecido por seu lançamentos de rap e hard rock. Sob a supervisão de Rubin, ele gravou em 1994 o álbum American Recordings em sua sala, acompanhado apenas do violão. O álbum foi aclamado pela crítica, enquanto as versões de Cash para sucessos de artistas modernos como Tom Waits e a banda de heavy metal Danzig ajudaram-no a conquistar um novo público. Foi o começo de uma década de recordes de vendas e grande sucesso comercial. Além disso, Cash e sua esposa apareceriam em diversos episódios do popular seriado de televisão Doctor Quinn Medicine Woman.
Para seu segundo álbum com Rubin, Unchained de 1996, Cash convocou o acompanhamento da banda Tom Petty and the Heartbreakers. Em complemento às diversas composições de Cash, Unchained apresentava canções do Soundgarden ("Rusty Cage") e Beck ("Rowboat"), assim como a participação especial do baixista Flea, do Red Hot Chili Peppers. Embora tenha sido virtualmente ignorado pelas rádios de country e pelo meio musical de Nashville, Unchained ganhou um Grammy como o "Melhor Álbum Country". Cash e Rubin compraram um anúncio de página inteira na revista Billboard aonde sarcasticamente agradeciam à indústria da música country por seu apoio irrestrito, acompanhado de uma fotografia de Cash mostrando seu dedo médio.
Doença e morte
Em 1997 Cash foi diagnosticado com Síndrome de Shy-Drager, uma doença neuro-degenerativa - diagnóstico que mais tarde seria alterado para problemas no sistema nervoso associados à diabetes. Seu estado de saúde o forçou a encurtar uma turnê; ele foi hospitalizado em 1998 com grave pneumonia, que prejudicou seus pulmões. O álbum American III: Solitary Man, lançado em 2000, apresentava sua resposta à doença, representada por uma versão de "I Won't Back Down" de Tom Petty assim como uma releitura poderosa de "One", do U2.
Cash lançou American IV: The Man Comes Around em 2002, que consistia metade de material original e metade de covers, algumas bem surpreendentes. O videoclipe de "Hurt", canção composta por Trent Reznor do Nine Inch Nails, foi indicada em sete categorias do Video Music Awards da MTV, ganhando o prêmio de "Melhor Fotografia". Em 2004 "Hurt" também venceu o Grammy de "Melhor Videoclipe".
A esposa de Johnny, June Carter, faleceu de complicações decorrentes de uma cirurgia do coração em 15 de maio de 2003, aos 73 anos de idade.
Menos de quatro meses depois Johnny Cash morreu devido ao diabetes aos 71 anos de idade enquanto estava hospitalizado no Baptist Hospital em Nashville, Tennessee. Ele foi enterrado ao lado de sua esposa no Hendersonville Memory Gardens, perto de sua terra natal, Hendersonville, Tennessee.
Legado
Desde seus primórdios como um pioneiro do rockabilly e rock and roll nos anos 50 à sua transformação em um representante internacional da música country e até sua reconquista da fama nos anos 90 tanto como uma lenda viva como ícone do country alternativo, Cash influenciou incontáveis músicos e deixou um trabalho igualado apenas pelos maiores artistas de sua época.
Cash promovia e defendia os artistas que beiravam os limites do que era aceitável na música country, mesmo enquanto era o símbolo mais conhecido do estilo. Em um concerto em 2002 vários astros prestaram-no tributo, incluindo Bob Dylan, Chris Isaak, Wyclef Jean, Norah Jones, Willie Nelson e U2. Dois discos-tributo foram lançados pouco depois de sua morte: Kindred Spirits, com trabalhos de artistas famosos, e Dressed In Black, com versões de músicos menos conhecidos.
Embora ele tenha composto mais de uma centena de músicas e lançado dúzias de álbuns, o trabalho criativo de Cash não conseguiu ser silenciado por sua morte. Um box set, intitulado Unearthed, foi lançado postumamente. Incluía quatro CDs de matérial inédito gravado com Rubin, assim como um CD retrospectivo, nestes cds constam versões de músicas de Bob Marley, Cat Stevens, Simon and Garfunkel, sendo que um dos quatro cds de músicas inéditas trata-se de um álbum gospel, onde interpreta canções religiosas que sua mãe cantava para ele quando criança, conta ainda com Best of Cash on American. American V, seu último disco, também será lançado postumamente.
Em 2005 foi lançado o filme Walk the Line (no Brasil Johnny & June) com Joaquin Phoenix no papel de Cash e Reese Witherspoon como June Carter, dirigido por James Mangold, uma biografia filmada. Filme que recebeu o Oscar de melhor atriz para Witherspoon e uma indicação de melhor ator para Joaquin Phoenix.
1957 - Johnny Cash and His Hot and Blue Guitar
1958 - Johnny Cash Sings the Songs That Made Him Famous
1959 - The Fabulous Johnny Cash
1959 - Hymns by Johnny Cash
1959 - Songs of Our Soil
1959 - Greatest Johnny Cash
1960 - Johnny Cash Sings Hank Williams
1960 - Ride This Train
1960 - Now There Was A Song
1961 - Now, Here's Johnny Cash
1962 - Hymns from the Heart
1962 - The Sound of Johnny Cash
1962 - All Aboard the Blue Train
1963 - Blood, Sweat and Tears
1963 - Ring of Fire
1963 - The Christmas Spirit
1964 - Keep on the Sunny Side
1964 - I Walk the Line
1964 - The Original Sun Sound of Johnny Cash
1964 - Bitter Tears: Ballads of the American Indian
1965 - Orange Blossom Special
1965 - Ballads of the True West
1965 - Mean as Hell
1966 - Everybody Loves a Nut
1966 - Happiness is You
1967 - Johnny Cash & June Carter: Jackson
1967 - Johnny Cash's Greatest Hits
1967 - Carryin' on with Cash and Carter
1968 - From Sea to Shining Sea
1968 - At Folsom Prison
1968 - The Holy Land
1969 - At San Quentin
1969 - Johnny Cash
1969 - Original Golden Hits, Volume I
1969 - Original Golden Hits, Volume II
1969 - Story Songs of the Trains and Rivers
1969 - Got Rhythm
1970 - Johnny Cash Sings Folsom Prison Blues
1970 - The Blue Train
1970 - Johnny Cash Sings the Greatest Hits
1970 - Johnny Cash and June Carter Cash: Jackson
1970 - Johnny Cash: The Legend
1970 - The Walls of a Prison
1970 - Sunday Down South
1970 - Showtime
1970 - Hello, I'm Johnny Cash
1970 - The Singing Storyteller
1970 - The World of Johnny Cash
1970 - Johnny Cash Sings I Walk the Line
1970 - The Rough Cut King of Country Music
1970 - The Johnny Cash Show
1970 - I Walk the Line - Movie Soundtrack
1970 - Little Fauss and Big Halsy - Movie Soundtrack
1971 - Man in Black
1971 - Johnny Cash and Jerry Lee Lewis Sing Hank Williams
1971 - Johnny Cash: The Man, His World, His Music
1971 - The Johnny Cash Collection: Greatest Hits Volume II
1971 - Understand Your Man
1971 - Original Golden Hits, Volume III
1972 - A Thing Called Love
1972 - Give My Love to Rose
1972 - America
1972 - The Johnny Cash Songbook
1972 - Christmas: The Johnny Cash Family
1973 - The Gospel Road
1973 - Any Old Wind That Blows
1973 - Now, There Was a Song
1973 - The Fabulous Johnny Cash
1973 - Johnny Cash and His Woman
1973 - Sunday Morning Coming Down
1973 - Ballads of the American Indian
1974 - Ragged Old Flag
1974 - Five Feet High and Rising
1974 - The Junkie and the Juicehead Minus Me
1975 - Johnny Cash Sings Precious Memories
1975 - The Children's Album
1975 - John R. Cash
1975 - Johnny Cash at Osteraker Pirsion
1975 - Look at Them Beans
1975 - Strawberry Cake
1976 - One Piece at a Time
1976 - Destination Victoria Station
1977 - The Last Gunfighter Ballad
1977 - The Rambler
1978 - I Would Like to See You Again
1978 - Greatest Hits, Volume III
1978 - Gone Girl
1979 - Johnny Cash - Silver
1979 - A Believer Sings the Truth
1980 - Rockabilly Blues
1980 - Classic Christmas
1981 - The Baron
1981 - Encore
1982 - The Survivors
1982 - A Believer Sings the Truth, Volume I
1982 - The Adventures of Johnny Cash
1983 - Johnny Cash - Biggest Hits
1983 - Johnny 99
1983 - Songs of Love and Life
1984 - I Believe
1985 - Highwayman
1986 - Rainbow
1986 - Class of '55: Cash, Perkins, Orbison & Lewis
1986 - Heroes: Johnny Cash and Waylon Jennings
1986 - Believe in Him
1987 - Johnny Cash: Columbia Records 1958-1986
1987 - Johnny Cash is Coming to Town
1988 - Classic Cash
1988 - Water From the Wells of Home
1990 - Johnny Cash: Patriot
1990 - Boom Chicka Boom
1990 - Johnny Cash: The Man in Black 1954-1958
1991 - The Mystery of Life
1991 - Johnny Cash: The Man in Black 1959-1962
1991 - Come Along and Ride this Train
1992 - The Essential Johnny Cash
1994 - American Recordings
1995 - Highwaymen: The Road Goes on Forever
1996 - Unchained
1996 - Johnny Cash: The Hits
1998 - VH1 Storytellers: Johnny Cash and Willie Nelson
1998 - Johnny Cash at Folsom Prison and San Quentin
1998 - Johnny Cash: Crazy Country
1998 - Johnny Cash: Timeless Inspiration
1998 - Johnny 99
1999 - Johnny Cash: Super Hits
1999 - Johnny Cash and Carl Perkins: I Walk the Line/Little Fauss and Big Halsy
1999 - Just as I am
1999 - Rockabilly Blues
1999 - Cash on Delivery: A Tribute
1999 - The Legendary Johnny Cash
1999 - Johnny Cash and June Carter Cash: It's All in the Family
Nascido em 1925, Riley B. King surgiu em Itta Bena, uma minúscula cidade do Mississippi, berço das maiores lendas do blues (Elmore James, Muddy Waters Howlin Wolf...) e que exigia de qualquer jovem da região um árduo trabalho nas fazendas de algodão e tornava o sonho de tocar guitarra como uma saída quase que única para se alcançar dignidade em uma terra tomada pela segregação racial.
Figura freqüente nos cultos, o rapaz que ainda atendia pelo nome de Riley entoava cânticos religiosos enquanto alimentava o desejo de virar músico, decisão definitivamente tomada em 1946, quando concluiu que pilotar trator e plantar sementes não era para ele.
De olho em Memphis, saiu de Indianola, onde passou a maior parte da infância e adolescência, e foi iniciar em um estúdio de rádio a história do homem que vem à cabeça de qualquer pessoa que não costuma ouvir blues, mas que responderia seu nome quando perguntada se tem a vaga idéia do que seja o som.
Folguista do lendário gaitista Sonny Boy Williamson em um restaurante de Memphis, e já como B.B. King, o guitarrista foi convencido pela dona do estabelecimento, uma tal Miss Annie, que caso arrumasse um anúncio na estação WDIA, poderia tocar seis vezes por semana e multiplicar os U$ 12 que ganhava por noite.
Carismático e disposto a vender até xarope fortificante a base de álcool, B.B. King virou disque-jóquei da casa, apresentando programas, fazendo propaganda e tocando ao vivo, uma rotina que durou até 1955, quando passou a excursionar por todos EUA, vender como nunca nenhum outro bluesman vendeu, virar referência para garotos ingleses como Eric Clapton e Mick Jagger, fazer duetos com Stevie Wonder, U2 e Sheryl Crow, virar milionário e não conseguir mais parar de tocar.
O sucesso
Sua popularização, aliás, parecia não o empolgar no início de sua trajetória. B.B. King deixava claro, em 1957, que "não toco para brancos" ou "não toco rockn roll", febre que se alastrava por aqueles anos e que permitiu que músicos negros, como Chuck Berry e Little Richards, virassem astros cantando algo que não era mais blues. Não demorou muito, no entanto, para que ele abrisse os braços para o estrelato.
Nas mãos do empresário Sid Seidenberg a partir de 1967, B.B. King ganhou tratamento de estrela, com contratos reformulados, apresentações em programas de TV, como o famoso Ed Sullivan Show, para 70 milhões de espectadores, parcerias com artistas emergentes e shows bem produzidos, fossem nos cassinos de Las Vegas ou nos melhores teatros, ou até na Cook Count Jail, penitenciária onde registrou um épico disco ao vivo, em 1971.
Porque são nas apresentações ao vivo, num reles boteco ou numa luxuosa casa de espetáculos, que B.B. King virou a lenda que escolheu o Brasil como uma das praças que pela última vez verá de perto os solos concisos e estridentes que saem de 'Lucille' e que o transformaram no mais fácil sinônimo para blues.
King of the Blues (1960)
My Kind of Blues (1960)
Live at the Regal (Live, 1965)
Lucille (B.B. King album)|Lucille (1968)
Live and Well (1969)
Completely Well (1969)
Indianola Mississippi Seeds (1970)
B.B. King In London (1971)
Live in Cook County Jail (1971)
Lucille Talks Back (1975)
Midnight Believer (1978)
Live "Now Appearing" at Ole Miss (1980)
There Must Be a Better World Somewhere (1981)
Love Me Tender (B.B. King album)|Love Me Tender (1982)
Why I Sing the Blues (1983)
B.B. King and Sons Live (B.B. King album)|B.B. King and Sons Live (Live, 1990)
Live at San Quentin (1991)
Live at the Apollo (B.B. King album)|Live at the Apollo (Live, 1991)
There is Always One More Time (1991)
Deuces Wild (album)|Deuces Wild (1997)
Riding with the King (B.B. King and Eric Clapton album)|Riding with the King (2000)
Reflections (B.B. King album)|Reflections (2003)
The Ultimate Collection (B.B. King album)|The Ultimate Collection (2005)
Chuck Berry ou Charles Edward Anderson Berry (Saint Louis, Missouri, 18 de outubro de 1926) é um compositor, cantor e guitarrista estadunidense É apontado por muitos como o inventor do Rock and Roll.Foi um dos primeiros membros do Hall da Fama do Rock and Roll, homeneageado em 1986. Rock and roll Berry foi influenciado por Nat King Cole, Louis Jordan e Muddy Waters, que acabaria o apresentando a Leonard Chess, da gravadora Chess. Enquanto ainda existem controvérsias sobre quem lançou o primeiro disco de rock, as primeiras gravações de Chuck Berry, como "Maybellene", de 1955, sintetizavam totalmente o formato rock and roll, combinando blues com música country e versos juvenis sobre garotas e carros, com dicção impecável e diferentes solos de guitarra. A maioria de suas gravações mais famosas foram lançadas pela Chess Records, com o pianista Johnnie Johnson, o baixista Willie Dixon e o baterista Fred Below. Juntamente com o guitarrista Berry, eles se tornaram o sumário de uma banda de rock. Durante sua carreira ele gravaria tanto baladas românticas (como "Havana Moon") quanto blues ("Wee Wee Hours"), mas foi no recém-nascido rock que Berry ganhou sua fama. Ele gravou mais de trinta sucessos a aparecerem no Top Ten, e suas canções ganharam versões de centenas de músicos de blues, country e rock and roll. Entre seus clássicos podemos citar "Roll Over Beethoven", "Sweet Little Sixteen", "Route 66", "Memphis, Tennessee", "Johnny B. Goode" (que possui provavelmente a mais famosa introdução de guitarra da história do rock), "Nadine", entre outras. Quando jovem, Berry passou três anos em um reformatório por tentativa de assalto. Mas acusação pior viria em 1959, quando ele convidou uma índia apache de 14 anos que havia conhecido no México para trabalhar em seu clube noturno em St. Louis. A garota acabaria sendo pega pela polícia, assim como Berry, que foi acusado de entrar com uma menor nos limites do estado com propósitos sexuais. Ele foi condenado a cinco anos de prisão e multado em 5,000 dólares. Chuck foi solto em 1963, mas seus dias de glória ficaram para trás. Mesmo assim ele ainda obteve sucessos com "You never can tell" e "No particular no place to go", lançada em 1964. Em 1966 ele gravou pelo selo Mercury Records uma compilação de todos os seus sucessos, utilizando técnicas mais modernas de gravação. A partir de então, Chuck Berry raramente voltaria a lançar músicas novas, preferindo capitalizar para si o sucesso que suas canções clássicas tinham junto ao público. Como exemplo de sua influência profunda, podemos lembrar das bandas inglesas dos anos 60. The Beatles, Animals, Rolling Stones, entre outros, regravaram suas músicas. Os Rolling Stones literalmente basearam seu estilo de tocar rock 'n' roll no dele. Quando Keith Richards premiou Berry no Hall da Fama, disse: "É difícil pra mim apresentar Chuck Berry, porque eu copiei todos os acordes que ele já tocou!" Chuck viajou em turnê por muitos anos carregando apenas sua guitarra Gibson, confiante no fato de que poderia contratar uma banda que conhecia suas músicas em qualquer lugar que ele fosse. Entre os muitos artistas que serviram de apoio para Berry estiveram Bruce Springsteen e Steve Miller. Depois de tocar seus maiores sucessos durante os anos 70, inclusive lançando um álbum ao vivo que foi grande sucesso comercial (London Sessions, de 1972), Berry teve problemas legais novamente em 1979, quando foi considerado culpado de sonegação de impostos. Ele foi sentenciado a quatro meses de prisão e a cumprir 1,000 horas de trabalho comunitário fazendo shows beneficentes. Em 1986, Keith Richards organizou para seu ídolo confesso um grande show para comemorar seus 60 anos, realizado em Saint Louis. Nele foi filmado o documentário "Hail!Hail!Rock 'n' Roll", no qual Chuck Berry, acompanhado de Etta James, Julian Lennon, Robert Cray, Eric Clapton, entre outros convidados, celebrava sua carreira. Foi o seu último grande momento artístico na mídia, embora tenha continuado nos anos seguintes a fazer turnês. Chuck Berry teve seis de suas músicas incluidas na Lista das 500 melhores canções de sempre da Revista Rolling Stone, sendo "Johnny B. Goode" a sétima da lista. Com relação à sua música mais famosa, "Johnny B. Goode", há, ainda, a curiosidade de ser um dos sons humanos levados pelas naves Voyager 1 e 2 para o espaço, caso haja contato com seres extraterrestres. Em junho de 2008, Chuck Berry realizou shows nas cidades de Rio de Janeiro, São Paulo, Curitiba e Porto Alegre.
Discografia 2002 - Chuck Berry - In Concert 2001 - Johnny B. Goode (Columbia River) 2001 - Blast From The Past: Chuck Berry 2000 - Live On Stage 2000 - Johnny B. Goode (Legacy) 2000 - Live! 2000 - Chuck Berry - Anthology 1999 - 20th Century Masters - The Best Of Chuck Berry 1998 - Rock & Roll Music 1998 - Live: Roots Of Rock 'N' Roll 1998 - The Latest & The Greatest / You Can Never Tell 1997 - Guitar Legends 1997 - Chuck Berry - His Best, Vol. 1 1996 - Let It Rock 1996 - Roll Over Beethoven 1996 - The Best Of Chuck Berry 1994 - On The Blues Side 1994 - Live At The Fillmore Auditorium (Bonus Tracks) 1988 - The Chess Box (Box Set) 1987 - Hail! Hail! Rock 'N' Roll 1986 - Rock 'N' Roll Rarities 1983 - 20 Hits 1982 - Chuck Berry (picture disc) 1982 - Chuck Berry 1982 - Reelin' And Rockin' 1982 - "Retro Rock" - Chuck Berry - Broadcast Week 1982 - The Great Twenty-Eight 1982 - Toronto Rock 'N' Roll Revival 1969 Vol. III 1982 - Toronto Rock 'N' Roll Revival 1969 Vol. II 1981 - Chuck Berry Live 1981 - Alive And Rockin' 1979 - Chuck Berry All-Time Hits 1979 - Rock It 1978 - Chuck Berry Live In Concert 1978 - Chuck Berry's 16 Greatest Hits 1978 - The Best Of The Best Of Chuck Berry 1976 - Chuck Berry's Greatest Hits 1975 - Chuck Berry 1974 - Chuck And His Friends 1974 - Flashback 1974 - Chuck Berry's Golden Decade Vol. 3 1974 - Wild Berrys 1973 - Sweet Little Rock And Roller 1973 - Bio 1973 - Chuck Berry's Golden Decade Vol. 2 1972 - Johnny B. Goode 1972 - St. Louie To Frisco To Memphis 1972 - The London Chuck Berry Sessions 1971 - San Francisco Dues 1970 - Back Home 1969 - Concerto In B. Goode 1968 - From St. Louie To Frisco 1967 - Live At The Fillmore Auditorium, San Francisco 1967 - Chuck Berry In Memphis 1967 - Chuck Berry's Golden Hits 1967 - Chuck Berry's Golden Decade 1965 - Fresh Berry's 1965 - Chuck Berry In London 1964 - St. Louis To Liverpool 1964 - Two Great Guitars - Chuck Berry And Bo Diddley 1964 - Chuck Berry's Greatest Hits 1963 - Chuck Berry On Stage 1962 - Chuck Berry Twist 1961 - New Juke-Box Hits 1960 - Rockin' At The Hops 1959 - Berry Is On Top 1958 - After School Session 1958 - One Dozen Berrys 1957 - Rock Rock Rock
Profissional da música desde a adolescência, Bill Haley passou por diversos estilos musicais como country, jazz, blues, polka e música tirolesa. Após o final da segunda guerra mundial (da qual não participou por ter um dos olhos de vidro) Bill Haley participava de bem-sucedidas bandas de swing. Mas sua grande contribuição foi ter participado da criação do rock and roll. Mais do que qualquer um Bill Haley merece este título de pai do rock, pois foi ele o responsável pela definição do rítmo, criado a partir de escalas de jazz. A idéia de Haley era criar uma batida dançante e contagiante. Em 1953 gravou "Crazy Man, Crazy", primeiro disco a aparecer nas paradas com a descrição "rock and roll". O sucesso veio em 1954 com "Shake Rattle and Roll", primeiro grande hit da história do rock, um antigo clássico da música negra, com sua letra amenizada e ritmo acelerado, como era comum na época. No final de 1954 e início de 1955 houve o maior de todos os sucessos, "Rock Around The Clock", gravado por Bill Haley com sua banda The Comets. A música foi colocada na trilha sonora do clássico filme "Sementes da Violência" ("Blackboard Jungle") que mostrava conflitos entre alunos e professores de uma escola. O filme era acusado de incentivar a rebeldia juvenil e gerava tumultos nas salas onde era exibido. Seguiram-se vários outros sucessos como "See You Latter Aligator", "ABC Boogie" e "Razzle Dazzle", todos de temática inocente e dançante. Bill Haley foi de certa forma vítima do próprio rítmo que havia criado. Em menos de 3 anos, com o despontar de astros mais jovens, mais rebeldes e de mais fácil identificação com a juventude, como Chuck Berry, Little Richard, Elvis Presley, entre outros, Bill Haley passou a ser visto como um ente deslocado, um velho tocando música de jovens, e teve de mudar os rumos de sua carreira, passando a se apresentar para platéias menores e mais velhas. Continuou durante mais de 20 anos excursionando por todo o mundo com o mesmo visual e as mesmas músicas. Bill Haley morreu em 1981, aos 55 anos, de ataque cardíaco, após um derrame cerebral, no Texas. Sua banda, The Comets, marcada pelos malabarismos dos irmãos Ruddy Pompili (saxofone) e All Pompili (contrabaixo acústico) continuou se apresentando.
Jerry Lee Lewis nasceu em 1935, em Lousiana, de uma família apreciadora de música, e desde cedo esteve influenciado por música evangélica e country. Teve a sorte de ser apoiado em sua musicalidade pelos pais, que chegaram a hipotecar a casa para comprar-lhe um piano, que ainda criança tocava, com técnica e estilo inéditos. A grande virada musical ocorreu quando conheceu e se apaixonou pelo jazz feito pelos negros americanos.
Em 1955 gravou duas músicas para uma rádio local, I don't Hurt Anymore e If I Ever Needed You I Need You Now, ambas versões aceleradas de clássicos de blues-country. As músicas viraram hits locais da noite para o dia e chamaram a atenção do empresário Sam Philips que procurava artistas brancos capazes de domesticar e vender a música negra. Sam Philips foi o responsável pela descoberta também de Elvis Presley.
Após alguns meses de pequenos hits a explosão ocorreu com o lançamento da visceral Whole Lotta Shaking Going On, logo seguida por Great Balls Of Fire, Breathless e High School Confidential, todas sucessos estraordinários de vendas. Além disso relançou também clássicos de blues e country com o seu tempero especial. Entitulava-se "The Killer" (o matador) e no palco era um ciclone martelando furiosamente as teclas do piano (que no auge de alguns desvarios era incendiado). Em sua vida pessoal fazia juz à fama de durão envolvendo-se em brigas frequentes.
Lewis prosseguiu com relativo sucesso lançando um ou outro hit até meados de 1958. Embora se costume associar seu declínio com a rejeição do público ao seu casamento com a prima Myra Gail Brown de 14 anos a realidade é que estava ocorrendo nesta época o fim da carreira meteórica dos artistas da primeira fase do rock and roll e o surgimento de novos nomes.
Após um longo período de ostracismo em meados da década de 60 Lewis começou a voltar à ativa dando mais ênfase ao lado country de seu estilo. Sua imagem nos anos seguintes foi bastante desgastada por frequentes escândalos envolvendo espancamento de suas mulheres, morte de seus dois filhos em um acidente de carro, problemas com alcoolismo e diversas operações no estômago. No palco, porém continuava apresentando a mesma performance explosiva, apesar dos problemas pessoais e idade.
Em 1985 chegou a ficar em coma e teve de ter seu estômago extirpado em virtude de uma úlcera que nunca se curou. Em 1996 sofreu o seu terceiro ataque cardíaco mas continuou tocando como antes. Em suas próprias palavras: "Há apenas um Jerry Lee Lewis e isto aqui vai ser um mundo muito triste quando eu tiver morrido".
A carreira de Jerry Lee Lewis foi divertidamente retratada (com alguns exageros e omissões) no filme Great Balls Of Fire (A Fera do Rock). Imperdível. Uma curiosidade: o primo Jimmy retratado no filme, um evangélico que tentava mudar os rumos da vida de Lewis convertendo-o a Cristo é Jimmy Swagart (embora não tenha seu sobrenome citado no filme), primo de Jerry Lee na vida real e que mais tarde viria a se tornar um famoso pregador televisivo.